A partir de certa idade nem nos governa a cabeça nem as pernas sabem onde levar-nos, no fim somos como as criancinhas, inermes, mas a mãe está morta, não podemos voltar a ela, ao princípio, àquele nada que esteve antes do princípio, o nada é a verdade que existe, é o antes, não é depois de mortos que entramos no nada, do nada, sim, viemos, foi pelo não ser que começámos e mortos, quando o estivermos, seremos dispersos, sem consciência, mas existindo.
José Saramago, O Ano da Morte de Ricardo Reis
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